Guiné
A televisão da Guiné é um campo privado jovem que cresce ao lado de um público muito mais antigo - uma paisagem moldada por décadas de radiodifusão estatal e por uma abertura tardia mas energética às vozes privadas.
De um canal a um campo inteiro
Durante a maior parte da sua história, a Guiné conheceu apenas o radiodifusor estatal. A rádio veio primeiro - a estação colonial tornou-se Radio Guinée com a independência em 1958, depois a Voix de la Révolution - e a televisão só seguiu em maio de 1977, primeiro a preto e branco, a cores em semanas e totalmente a cores até 1979. Após a morte de Ahmed Sékou Touré em 1984, o serviço tomou o seu nome atual, a Radio Télévision Guinéenne, que hoje gere dois canais de televisão - RTG Koloma e RTG Boulbinet - ao lado das suas rádios, e que é levada por satélite desde 2002. Em 2007, um jato da Força Aérea da Guiné despenhou-se na sede do radiodifusor em Conacri; o piloto ejetou-se ileso.
A liberalização do setor dos media nos anos 1990 e 2000 - coroada pela lei da liberdade de imprensa de 2010 - abriu o espaço audiovisual: as rádios privadas multiplicaram-se pelas regiões, e os canais de televisão privados seguiram, primeiro na capital e depois além dela, sob a vigilância da Alta Autoridade da Comunicação. Conacri concentra o campo: os canais privados emitem a partir da capital e das suas comunas, de Lambanyi a Matoto.
As vozes privadas da informação
A Espace TV e a Afrik Info TV são o lado informativo do campo privado guineense: canais sediados em Conacri que cobrem a política nacional, o debate público e a vida das regiões - o tipo de escrutínio diário que a televisão estatal sozinha nunca fez. A Espace TV, parte do grupo Hadafo Médias, retransmite em simultâneo o mais conhecido programa de debate da sua rádio irmã, a Espace FM; a Afrik Info TV leva notícias contínuas com um olhar da África Ocidental.
O canal da música e da cultura
A Kalac TV completa o campo do outro lado do mostrador: um canal de Conacri dedicado à música e às culturas da Guiné e da África Ocidental.
A rádio ainda chega mais longe do que a televisão na Guiné, mas a abertura do éter mudou a forma como o país se vê a si mesmo: eleições, julgamentos e grandes debates públicos jogam-se agora nos canais privados tanto quanto no serviço estatal.